sexta-feira, 9 de maio de 2014

GLASGOW OU VOCÊ SÓ SABE QUANDO CONHECE

Babies, depois desse gap homérico na nossa comunicação, voltei! Não sei como ainda tem gente que acompanha o blog (mas tem hehe!), por isso agradeço por cada visitinha a essa blogueira sumida.

Então, eu deveria contar da viagem agora do Easter Break. Também deveria finalmente fazer os mil posts que quero sobre a vida acadêmica aqui em Belfast e tal (sim, eu estudo e vivo a rotina, não só viajo haha), mas first things first, vou seguir a cronologia senão eu me perco.

No meio do mês de março, Carol e eu decidimos passar um fim de semana em Glasgow. Viviana, minha host querida e amiga de Carol, nos recebeu por lá :) Quando eu estava pesquisando para viajar com mainha e Ericão, tínhamos pensado em visitar Glasgow junto com Edimburgo. Mas aí eu fui pesquisar e tals, acabei lendo muitas opiniões desfavoráveis a cidade e concluindo que não valia a pena. Resultado: ficamos só em Edimburgo mesmo (e foi lindo!).

Por conta desse pesquisinha, tinha ficado meio que com preconceito de Glasgow, sabe? Ledo engano. A cidade me surpreendeu de uma forma muito positiva e amei cada minutinho por lá. Foram três dias lindos e se eu pudesse, voltava. O que foi que eu aprendi com essa viagem: cada cidade, uma experiência, se você não conheceu ainda, não vá se fiando na opinião dos outros. Vá e só aí, julgue. Experiência o nome já diz, é de cada um.

Vamos aos fatos e as fotos. Chegamos em Glasgow no dia 14 de março de manhã e a cidade já nos recebeu com aquele ventinho frio de gelar os ossos. Pegamos um ônibus para a cidade (sorry, não lembro qual) e descemos em Kelvingrove, uma praça de onde já se pode ver dois dos principais pontos turísticos: a universidade de Glasgow e o museu e galeria de arte de Kelvingrove. O que eu posso dizer, Glasgow me conquistou rápido, dentro do ônibus ainda.

Vivi foi nos buscar no ponto de ônibus e, depois de deixarmos as coisas na casa dela, fomos almoçar um subway (com lindas opções vegetarianas, não se esqueçam que o UK sempre pensa em nós nesse sentido *_*). De lá, fomos para a universidade de Glasgow, onde ela estuda. Geeeente, que lugar mais lindo! Fundada em 1451, a universidade é umas das mais antigas do mundo ocidental e conta com uma arquitetura gótica impressionante. A cidade inteira na verdade tem uma arquitetura impressionante, não é a toa que, em 1999, recebeu o título de Cidade de arquitetura e design do UK

Antes de entrar na universidade, ficamos andando pelo Kevingrove Park, onde passa o rio Kelvin, um dos braços do Clyde, principal rio da cidade. Dentro da universidade, fica o museu The Hunterian que, seguindo a tradição do UK, é free. O museu é super interessante e abriga uma coleção bem abrangente, de múmias e artefatos romanos até peças anatômicas. Depois disso, ficamos andando pelos arredores e em seguida fomos ao supermercado.




















Esses dias em Glasgow foram meio que party everyday, devo dizer, o que foi um jeito bem diferente de turistar, mas muito divertido mesmo. Nessa primeira noite, fomos para um flat da universidade onde estava tendo uma festinha. Confesso que a quase que completa ausência de música me desmotivou um pouco somada ao fato que o prédio estava em ruínas, mas a noite foi bem interessante porque nunca falei com gente de nacionalidades tão diferentes num espaço tão curto de tempo. Que eu lembre agora, nessas poucas horinhas lá, falei com uma grega, uma francesa, dois italinos, uma romena, uma menina da Indonésia, um húngaro... gente, foi tanta gente, não lembro mais. E aí deu pra sentir um pouco da vibe da cidade, que é cheeia de estudantes, pelo que eu pesquisei abriga 7 universidades, e cheia de imigrantes também. É a maior cidade da Escócia e a terceira maior do Reino Unido, uma cidade bem importante mesmo. 

No dia seguinte, acordamos tarde e decidimos ir para o centro. Fiquei realmente muito impressionada com o centro histórico do lugar, tirei foto de muitos prédios haha Realmente, a cidade tem uma arquitetura bem impressionante e o centro histórico é gigante. Ficamos andando por lá, mas indo em direção ao ponto do City Sightseeing Tour, objetivo principal do dia, conseguindo pegar o último ônibus. O passeio custa £ 10 e vale por dois dias, funcionando no esquema hop on hop off (você desce na atração que quer e depois sobe no próximo ônibus para terminar o tour - fiz o mesmo esquema em Belfast, como conto aqui).

O passeio só fez reforçar a impressão que eu já tinha sobre a beleza da cidade. Acabou me lembrando um pouco Recife porque a razão de tanta gente falar meio que mal dela é porque, como cidade grande, ela tem muitos problemas urbanos, inclusive alguns que a gente não vê muito aqui nas cidades do Reino Unido. Primeiro que ela é bastante suja, a cidade mais suja na qual já estive até agora, de ter lixo nas ruas mesmo, sacólas de plástico em todo canto etc. Outra questão, é que ela é cheia daqueles lugares lindos onde, do mesmo lado, você encontra um terreno baldio, uma construção totalmente decadente, um lixão... quer dizer, se você julga Glasgow pelos parâmetros britânicos, você vai achá-la feia. Como meus parâmetros são diferentes, eu achei ela linda, só cheia de defeitinhos *_*.

Vivi e Carol :)











Nessa noite, fomos para uma boate, a O2. Nem vou dizer que dancei feito louca mais uma vez resultado da deliciosa e não aconselhável mistura de vodca com Redbull. Em Glasgow, as festas vão até as 3 da manhã, ao contrário daqui de Belfast, onde de 2 da manhã todo mundo vai pra caminha.  

Nosso último dia foi cultural: fomos para o Museu e galeria de arte de Kelvingrove, onde passamos o dia, e à noite fomos para um Pub ouvir um pouco de Jazz. O museu também é free e é um SONHO. A parte de pintores escoceses é especialmente interessante. Ainda deu pra gente ouvir uma apresentação de uma orquestra acompanhada de um orgão. Muito lindo.



Depois fomos tomar um chá da tarde (pela primeira vez na minha vida!!). Gente, eles são tão fofinhos que até o chá da tarde tem opção vegetariana! Muuuuito gostoso!


No dia seguinte, voltamos bem cedinho para Belfast, correndo para chegar em Dublin no dia 17, no St Patrick's Day. Mas isso é história para outro post :D

Bjocas

#touviva
#aospoucoseuconto


segunda-feira, 28 de abril de 2014

Quem é vivo sempre aparece!

Gente, estou vivaaaaa, juro!!

O motivo de ter sumido esse mês foi que fiz uma viagem linda e maravilhosa pela Itália e depois fui pra Paris *_*

Fiquei sem computador, então não tinha como postar nada direito, preferi aguardar.

Prometo que essa semana voltam os posts. Antes de contar do meu Easter Break lindo e maravilhoso, farei os posts sobre Glasgow, Dublin e um passeio que fiz aqui pela Uni. Ufa, que vida moleza né?

Nem tanto gente, nem tanto. Já cheguei de viagem com trabalho pra entregar e assunto pra estudar, que no fim do mês tenho provas.

Mesmo assim, prometo que vou achar tempo para contar tudo que andei aprontando ahaha

Saudade que eu estava de escrever por aqui *_*

Bjocas

#voltei
#cabouseamoleza
#lardocelar
#limpandoasteias

domingo, 30 de março de 2014

DA LUTA QUE NÃO TEM FIM

Dia desses sento na frente do computador para mais uma dose do meu vício diário - facebook - e me deparo com vários posts indignados sobre os resultados recentes de uma pesquisa do IPEA intitulada "Tolerância social à violência contra as mulheres". Foram 3809 entrevistados durante os meses de maio e junho de 2013. Vale a pena ler o relatório completo aqui.

Bom, acho que para nós feministas essa pesquisa não foi nenhuma novidade. Quer dizer, eu quando li não me espantei nem dei muita atenção confesso, simplesmente pelo fato de que para mim tudo isso já se sabia: se você acompanha as notícias, conversa com as mulheres, lê sobre o assunto, fica muito claro que essas opiniões reacionárias da sociedade mostradas pela pesquisa ainda são maioria. Mas foi aí que eu bestei: NÃO se sabe, as pessoas NÃO leem sobre o assunto e, sim, muita gente acha que o feminismo é DESNECESSÁRIO e que está tudo de boa na lagoa.

Novidade: não está. 

Acho que esse estudo foi um tapa na cara de muita gente que sempre gostou de dar pitaco na roupa alheia - leia-se, das mulheres - no corpo do outro, no comportamento do outro. Gente que acha que falar que uma mulher é vulgar (tem palavra que eu odeio mais?), que ela deve se 'dar ao respeito' (Grrrr), é uma coisa perfeitamente aceitável. Então digo para você que abre a sua boquinha pra falar isso: sim, você faz parte dessa maioria que dá suporte à cultura de estupro que impera na nossa sociedade.

Então, o que me espantou foi a reação das pessoas, que só posso acompanhar pelo facebook obviamente. Aquilo que eu sempre converso discuto na roda de amigos, nas redes sociais, no meio da rua: existe uma cultura de estupro impiedosa com as mulheres, que culpa a vítima pela violência sexual sofrida usando de argumentos tolos como a roupa que estava vestindo, se estava ou não bêbada, seu comportamento, o ambiente que estava etc. Parece que finalmente muita gente acreditou no que andava negando há tanto tempo.

Acho que tem gente que não deve saber: 70% dos estupros são cometidos por conhecidos da vítima. Sim, aquele estupro de filme, mulher andando em rua escura atacada por homem desconhecido, não é o padrão. São companheiros, pais, tios, padrastos, irmãos etc os principais estupradores. Estima-se que, no Brasil, pelo menos 527 mil pessoas são estupradas a cada ano. 89% das vítimas são mulheres. E o dado que pra mim é tão doloroso que eu quero uivar: crianças e adolescentes representam 70% das vítimas. Leia mais aqui.

Agora me diga como, diante disso, ao ouvir a frase "Se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros", 58,5% dos entrevistados concordam, total ou parcialmente, com o que está sendo dito?

Fonte: Escreva Lola Escreva

É simples: se você estivesse numa mesa de bar com mais 9 amigxs, 6 delxs iriam de alguma forma argumentar sobre o porquê de uma mulher ser vítima de estupro. Com certeza alguns iriam usar a frase expor-se ao risco para dar suporte à suas opiniões machistas arraigadas. Só DOIS amigxs iriam te apoiar quando você começasse, indignadx, a fazer um discurso contra à cultura de estupro prevalente. 

Ahh, mas eu sempre tenho que ouvir que NINGUÉM, em sã consciência, falaria que uma mulher merece ser estuprada. Que isso é coisa de LOUCO. Pois amigx, aqui vai: 65,1% dos entrevistados concordaram, parcial ou totalmente, com a frase "Mulheres que usam roupas que mostrem o corpo merecem ser atacadas". MERECEM gente, olha a palavra, MERECEM. Isso reforça o que a gente sabe: estupro não tem a ver com SEXO, e sim com PODER. A violência é PUNITIVA para aquelas mulheres que ousam quebrar o status quo.

Fonte: Escreva Lola Escreva

E aí tem gente que não entende qual o objetivo da Slut Walk/Marcha das Vadias. Que não entende do porquê mostrar nosso corpo é uma forma de protesto. Não entendem que é um jeito de dizer: o corpo é meu e dele posso dispor conforme EU quiser! Gente que diz ah, é um absurdo uma mulher ser culpada por ser estuprada, mas como assim vocês tão mostrando os peitos, tem que se dar ao respeito! Novidade para você: TODO ser humano merece respeito. PONTO. Não existe SE nessa frase. Não é "todo ser humano merece respeito se seguir...". NÃO. Vou repetir porque isso me cansa: VOCÊ ESTÁ ERRADX. Respeitar o outro, independente de qualquer coisa, é uma obrigação de todo ser humano. 

Você duvida do que eu estou dizendo? Acho que eu estou exagerando? Faça assim: sente no computador, abra notícias de violência contra a mulher e leia os comentários. Só esteja de estômago vazio porque provavelmente vai te dar vontade de vomitar. Em seguida, vá para o evento 'Eu não mereço ser estuprada', no facebook, e veja a quantidade de comentários machistas, racistas, homofóbicos, transfóbicos, gordofóbicos etc que você vai encontrar. Sim, bem-vindx ao mundo dos olhos que veem.

A pesquisa ainda revela muitas coisas gente, coisas graves que também merecem ser discutidas: 60% dos entrevistados concordam, total ou parcialmente, com a frase "Incomoda ver dois homens, ou duas mulheres, se beijando na boca em público". 50% concordam, total ou parcialmente, com "Casamento de homem com homem ou de mulher com mulher deve ser proibido". Não se está falando tando disso, mas temos que lembrar que as minorias devem se unir, porque todos esses preconceitos simplesmemente andam de mãos dadas e não adianta combater um, sem lutar contra o outro. 

Eu realmente não sei das estatísticas de violência contra a mulher na Irlanda, mas queria contar dois episódios que aconteceram enquanto estou aqui. 

Episódio 1: esse é o depoimento do meu amigo André, postado em seu facebook.

"Então, acabo de voltar de uma festa por aqui. A festa foi muito foda e tudo mais, mas o meu ponto alto foi: estava eu falando com um amigo, meu flatmate, e ele estava afim de uma guria brasileira, conhecida minha. Eu disse "ela tá bem bêbada, vai que rola algo", sem nem perceber que estava perpetuando essa cultura do estupro tão conhecida nossa. Eis que ele me responde "não acho legal pegar garotas bêbadas, eu quero que ela esteja no momento tanto quanto eu". Pasmo, eu só pude concordar e ficar muito feliz com uma resposta dessas.
Diga-se de passagem, nessa mesma festa onde tinha um grupo de caras só de shorts rosa (e nada mais) e eu não ouvi nenhum comentário sobre isso, tampouco percebi olhares de julgamento em direção a eles. Nessa mesma festa que eu pude dançar do jeito que eu bem quisesse e não vi ninguém me olhando com aquela velha impressão de julgamento. Nessas mesmas festas que, aqui, as meninas vão com short e barriga de fora num frio de 0ºC e ninguém fala que elas são vadias ou que elas querem dar, e elas não tem que se justificar pra ninguém.
Minha conclusão: nós, brasileiros, ainda temos um loooongo caminho pela frente.
Não falo isso pra dizer que aqui é melhor só porque "não é Brasil e no no Brasil tudo é uma merda", mas acho valido o aprendizado com outras culturas.

PS: esse meu flatmate nem daqui é, ele é indiano. Então né... a desculpa de que ele é de um país de primeiro mundo também não cola."


 Episódio 2: estou aqui no flat e converso com uma moça francesa. Ela de repente me diz - os meninos brasileiros são muito chatos não é? Por que?, eu pergunto. Porque fui para uma festa e um brasileiro quis me beijar e eu disse não. Ele ficou insistindo um tempão. Pergunto se aqui os homens não fazem isso. A resposta: não.

Minha experiência: nas minhas andanças aqui em pubs e boates, eu pude observar que as meninas se vestem com roupas curtas apesar do frio rigoroso. Elas vão super produzidas para as baladas e inclusive para a faculdade (combatendo aqueles discursos de decoro no ambiente de ensino). Sabe quando eu vi um menino agarrando uma menina à força nas festas, do jeito que já vi muito brasileiro fazer? Nunca. Nas duas vezes que homens realmente chegaram em mim numa festa, eles se apresentaram e apertaram minha mão. Ah sim, nada de pegadas na cintura de desconhecidos. Como uma pessoa normal, a pessoa se apresentou. Quando eu disse não, eles foram embora. Quem nunca passou uma festa no Brasil tentando se livrar de um encosto?

Agora quero ver você vir aqui abrir sua boca para dizer "Se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros".

O outro dia li um comentário muito pertinente no blog da Lola, acho que é um conselho bom para esses homens que dizem que nós mulheres os provocamos com nossa roupa, com nosso comportamento.

"Ouso reverter a pergunta: se o homem não tem controle do que vá distraí-lo, não é melhor que ele fique em casa, num ambiente moderado, enquanto a mulher vá ao mundo trabalhar com novas ideias e tecnologias?"

Dois vídeos legais sobre o assunto:



Se você concorda comigo, que tal aderir à campanha "Eu não mereço ser estuprada"?


E lembro à todos os reaças de plantão: "A nossa luta é todo dia contra o machismo, o racismo e a homofobia". 


Bjocas

#eunãomereçoserestuprada
#mexeucomumamexeucomtodas
#sororidade
#vempraluta