segunda-feira, 11 de agosto de 2014

10 coisas que você não sabia sobre Belfast

01. Exceto nos dias de terça-feira, o cinema aqui sempre está vazio. Chegar 10 minutos depois do início da sessão também não tem problema - os trailers demoram, no mínimo, 15 minutos.

02. Os irlandeses não são apenas muito educados. Eles são genuinamente gentis.

03. Guarda-chuva não serve de nada aqui. Use dois dias e ele já quebra. Compre uma capa de chuva.

04. No dia mais quente de Belfast você provavelmente vai sentir um morninho. Adeus calor.

05. Uma parte da cidade é cercada de montanhas e elas são lindas. 

06. O conflito religioso do passado ainda não foi esquecido. Cuidado onde você usa aquela sua camisa verde.

07. Se você acha que bebe muito, ainda não conheceu um irlandês.

08. Esqueça a Amsterdã das bicicletas. O povo aqui vai de carro mesmo.

09. Você provavelmente não vai entender os irlandeses no primeiro mês aqui. Nem no segundo. No terceiro você vai parar de dizer 'I am sorry' toda hora, mas ainda terá dificuldades. Você provavelmente nunca vai entender completamente um irlandês bêbado num pub.

10. Belfast se divide em norte, sul, leste e oeste. O sul é o único que foi poupado dos conflitos que marcaram os 'Troubles'.

Extra 1: (Isso vale para o resto do Reino Unido) médicxs e enfermeirxs não usam jaleco/bata no ambiente hospitalar para evitar trazer contaminar o paciente. 

Extra 2: Provavelmente essa lista deveria ter 50 itens. Belfast é inesgotável *_*

quarta-feira, 25 de junho de 2014

VALE A PENA?

Olá babies!! OI? Alguém aí?

Ok, fiz o que tinha prometido não fazer nunca. Abandonei o blog :( Pior, prometi voltar a escrever e abandonei de novo! Já sei, confiança perdida nessa blogueira, eu mesmo já teria parado de acompanhar! Mas bom, hoje decidi (e tive disposição e tempo) voltar a escrever. Vou deixar o post sobre o St. Patricks pra depois, primeiro quero falar sobre outra coisa.

Esse post está circulando na minha cabeça já tem um tempinho. Não tenho tido muita vontade de escrever esses dias, mas hoje as palavras ficaram na minha cabeça e não me deram sossego, então decidi finalmente colocar os pensamentos no papel ops, tela do computador. Levando em consideração o quanto minha mémoria é falha, eu deveria estar escrevendo sobre as viagens, mas vou esperar pela inspiração para poder fazer isso (pois é, até pra descrever uma viagem eu preciso de inspiração ¬¬).

Então, acredito que a grande questão para a maioria das pessoas em relação ao Ciência Sem Fronteiras é a seguinte: Vale a pena, academicamente falando, 'perder' um ano estudando fora? Vale a pena pospor sua vida de trabalhador remunerado por um ano? ou para alguns, 'Vale a pena estender a sua vida de acadêmico por mais um ano?' Especialmente para nós de medicina, essa pergunta tem sido feita muitas vezes. Muitos intercambistas ficam revoltados quando escutam a expressão 'perder um ano'. Eu realmente acho esse questionamente tão natural e razoável que não me causa nenhum ressentimento. Por essa razão, vim aqui descrever o que, para mim, são algumas das vantagens acadêmicas do intercâmbio. Sim, pode ser que você já saiba de tudo o que eu vou falar, mas a visão que eu tenho estando aqui é diferente da que tinha estando em Recife, mesmo quando já estava segura da decisão de vir para o UK.

Estudar em um país estrangeiro tem um impacto imenso não só na vida acadêmica, mas no desenvolvimento pessoal também. Completei 5 meses estando em terras alheias e já sinto esse impacto, mas vou deixar pra falar sobre isso mais para frente. Hoje quero falar da parte acadêmica da coisa :)

1) Falando inglês. Claro que nem todos que participam do programa vão para países de língua inglesa, então leia-se aqui falando uma nova língua. Sem exagero, saber falar inglês é simplesmente abrir um leque de novas fontes de estudo. Não vou nem falar do fato que essa língua permite uma comunicação com pessoas do mundo todo e, consequentemente, tem um impacto cultural tremendo. Se você já teve que fazer revisão de literatura para algum trabalho, vai entender o que estou dizendo. Boa parte do material acadêmico produzido NO MUNDO está disponível em inglês. Ter o domínio da língua inglesa simplesmente vai te dar acesso a um monte de estudos que, em outra situação, estariam inacessíveis para você.

2) Se familiarizando com a produção científica. Isso casa com o item acima, mas é um outro aspecto. Pode não ser a situação de todo mundo, mas eu durante esses dois anos e meio de faculdade não fui tão estimulada a ler artigos acadêmicos como nesses 5 meses aqui. Estudar por artigos científicos simplesmente é regra por aqui. Cada trabalho feito envolve uma miríade de leituras, muito além do livro-texto sobre o assunto. Estudar por artigo requer prática, é uma linguagem diferente e maravilhosa, porque é muito estimulante. Para vocês terem uma ideia da importância disso, quanto mais conhecimento extra você demonstrar em suas respostas na prova, maior a pontuação. Ou seja, adeus ficar lendo os slides do professor. Mesmo o livro dado como referência não vale muito. O importante é demonstrar que você teve a iniciativa de ir além da base dada em sala de aula.

3) Estágio. Ai, o estágio. É muito amor gente. Estou vivendo um período de felicidade imensa aqui porque consegui um orientador maravilhoso que não só me deu um projeto no qual trabalhar como me permitiu ter acesso ao hospital. Sim, estou acompanhando ambulatório e é como um sonho feito realidade. Eu provavelmente devo fazer um post sobre as diferenças que observei entre o sistema de saúde daqui e de Recife, mas hoje quero falar mais dos aspectos técnicos da questão. Gente, vocês não imaginam quanta gente eu já conheci com o estágio. Médicos mesmo. Isso são contatos pessoal, coisa muito importante para qualquer profissão. Outros colegas estão fazendo pesquisas de ponta e tendo acesso a laboratórios de primeiro mundo, quando que no Brasil você teria essa oportunidade? Fora isso, tem a parte de aprendizado do estágio mesmo, estou vendo coisas aqui no ambulatório que provavelmente nunca veria no meu hospital. Por isso, o estágio é uma parte muuuuuito importante do intercâmbio.

4) O curso. Bom, quem faz medicina no Brasil não conseguirá fazer medicina aqui (até onde me consta). Você provavelmente irá fazer outros cursos e, no meu caso, faço o curso de Biomedical Sciences. Tive 3 cadeiras essa último semestre (e, graças a Deus!, passei em todas as matérias): Clinical Biochemistry, Vascular Biology e Neuroscience. Fora revisitar muito conteúdo que eu já tinha esquecido, tive acesso a assuntos dos quais nunca sequer tinha ouvido falar! Vascular Biology foi um mundo novo. Confesso que algumas coisas são chatas e voltar às moléculas é sempre maçante, mas existiu um aprendizado e foi significativo. As provas também são um aprendizado à parte, um sistema de avaliação bem diferente. Ainda não formei uma opinião sobre a eficácia do tal sistema, mas que você aprende a estudar de outra forma, aí aprende!

Claro gente, essa está sendo minha experiência, na Queens. Outros estudantes podem ter diferentes experiências, obviamente, mas eu achei que precisava fazer esse post. Para mim, a resposta ao título desse post será sempre um sonoro SIM :D

Depois venho contar as mil coisas que tenho pra contar! Mas me perdoem o sumiço mesmo, estou trabalhando das 9 da manhã às 5 da tarde todo dia, então chego cansada em casa :D

Bjocas e até mais!

#molezanuncamais
#hospitalfeelings *_*

sexta-feira, 9 de maio de 2014

GLASGOW OU VOCÊ SÓ SABE QUANDO CONHECE

Babies, depois desse gap homérico na nossa comunicação, voltei! Não sei como ainda tem gente que acompanha o blog (mas tem hehe!), por isso agradeço por cada visitinha a essa blogueira sumida.

Então, eu deveria contar da viagem agora do Easter Break. Também deveria finalmente fazer os mil posts que quero sobre a vida acadêmica aqui em Belfast e tal (sim, eu estudo e vivo a rotina, não só viajo haha), mas first things first, vou seguir a cronologia senão eu me perco.

No meio do mês de março, Carol e eu decidimos passar um fim de semana em Glasgow. Viviana, minha host querida e amiga de Carol, nos recebeu por lá :) Quando eu estava pesquisando para viajar com mainha e Ericão, tínhamos pensado em visitar Glasgow junto com Edimburgo. Mas aí eu fui pesquisar e tals, acabei lendo muitas opiniões desfavoráveis a cidade e concluindo que não valia a pena. Resultado: ficamos só em Edimburgo mesmo (e foi lindo!).

Por conta desse pesquisinha, tinha ficado meio que com preconceito de Glasgow, sabe? Ledo engano. A cidade me surpreendeu de uma forma muito positiva e amei cada minutinho por lá. Foram três dias lindos e se eu pudesse, voltava. O que foi que eu aprendi com essa viagem: cada cidade, uma experiência, se você não conheceu ainda, não vá se fiando na opinião dos outros. Vá e só aí, julgue. Experiência o nome já diz, é de cada um.

Vamos aos fatos e as fotos. Chegamos em Glasgow no dia 14 de março de manhã e a cidade já nos recebeu com aquele ventinho frio de gelar os ossos. Pegamos um ônibus para a cidade (sorry, não lembro qual) e descemos em Kelvingrove, uma praça de onde já se pode ver dois dos principais pontos turísticos: a universidade de Glasgow e o museu e galeria de arte de Kelvingrove. O que eu posso dizer, Glasgow me conquistou rápido, dentro do ônibus ainda.

Vivi foi nos buscar no ponto de ônibus e, depois de deixarmos as coisas na casa dela, fomos almoçar um subway (com lindas opções vegetarianas, não se esqueçam que o UK sempre pensa em nós nesse sentido *_*). De lá, fomos para a universidade de Glasgow, onde ela estuda. Geeeente, que lugar mais lindo! Fundada em 1451, a universidade é umas das mais antigas do mundo ocidental e conta com uma arquitetura gótica impressionante. A cidade inteira na verdade tem uma arquitetura impressionante, não é a toa que, em 1999, recebeu o título de Cidade de arquitetura e design do UK

Antes de entrar na universidade, ficamos andando pelo Kevingrove Park, onde passa o rio Kelvin, um dos braços do Clyde, principal rio da cidade. Dentro da universidade, fica o museu The Hunterian que, seguindo a tradição do UK, é free. O museu é super interessante e abriga uma coleção bem abrangente, de múmias e artefatos romanos até peças anatômicas. Depois disso, ficamos andando pelos arredores e em seguida fomos ao supermercado.




















Esses dias em Glasgow foram meio que party everyday, devo dizer, o que foi um jeito bem diferente de turistar, mas muito divertido mesmo. Nessa primeira noite, fomos para um flat da universidade onde estava tendo uma festinha. Confesso que a quase que completa ausência de música me desmotivou um pouco somada ao fato que o prédio estava em ruínas, mas a noite foi bem interessante porque nunca falei com gente de nacionalidades tão diferentes num espaço tão curto de tempo. Que eu lembre agora, nessas poucas horinhas lá, falei com uma grega, uma francesa, dois italinos, uma romena, uma menina da Indonésia, um húngaro... gente, foi tanta gente, não lembro mais. E aí deu pra sentir um pouco da vibe da cidade, que é cheeia de estudantes, pelo que eu pesquisei abriga 7 universidades, e cheia de imigrantes também. É a maior cidade da Escócia e a terceira maior do Reino Unido, uma cidade bem importante mesmo. 

No dia seguinte, acordamos tarde e decidimos ir para o centro. Fiquei realmente muito impressionada com o centro histórico do lugar, tirei foto de muitos prédios haha Realmente, a cidade tem uma arquitetura bem impressionante e o centro histórico é gigante. Ficamos andando por lá, mas indo em direção ao ponto do City Sightseeing Tour, objetivo principal do dia, conseguindo pegar o último ônibus. O passeio custa £ 10 e vale por dois dias, funcionando no esquema hop on hop off (você desce na atração que quer e depois sobe no próximo ônibus para terminar o tour - fiz o mesmo esquema em Belfast, como conto aqui).

O passeio só fez reforçar a impressão que eu já tinha sobre a beleza da cidade. Acabou me lembrando um pouco Recife porque a razão de tanta gente falar meio que mal dela é porque, como cidade grande, ela tem muitos problemas urbanos, inclusive alguns que a gente não vê muito aqui nas cidades do Reino Unido. Primeiro que ela é bastante suja, a cidade mais suja na qual já estive até agora, de ter lixo nas ruas mesmo, sacólas de plástico em todo canto etc. Outra questão, é que ela é cheia daqueles lugares lindos onde, do mesmo lado, você encontra um terreno baldio, uma construção totalmente decadente, um lixão... quer dizer, se você julga Glasgow pelos parâmetros britânicos, você vai achá-la feia. Como meus parâmetros são diferentes, eu achei ela linda, só cheia de defeitinhos *_*.

Vivi e Carol :)











Nessa noite, fomos para uma boate, a O2. Nem vou dizer que dancei feito louca mais uma vez resultado da deliciosa e não aconselhável mistura de vodca com Redbull. Em Glasgow, as festas vão até as 3 da manhã, ao contrário daqui de Belfast, onde de 2 da manhã todo mundo vai pra caminha.  

Nosso último dia foi cultural: fomos para o Museu e galeria de arte de Kelvingrove, onde passamos o dia, e à noite fomos para um Pub ouvir um pouco de Jazz. O museu também é free e é um SONHO. A parte de pintores escoceses é especialmente interessante. Ainda deu pra gente ouvir uma apresentação de uma orquestra acompanhada de um orgão. Muito lindo.



Depois fomos tomar um chá da tarde (pela primeira vez na minha vida!!). Gente, eles são tão fofinhos que até o chá da tarde tem opção vegetariana! Muuuuito gostoso!


No dia seguinte, voltamos bem cedinho para Belfast, correndo para chegar em Dublin no dia 17, no St Patrick's Day. Mas isso é história para outro post :D

Bjocas

#touviva
#aospoucoseuconto